Um filme poético sobre as diferentes formas do amor!

A Forma da Água do cineasta Guillermo Del Toro é o filme mais indicado (13 categorias) na 90.ª edição do Oscar, que acontece no dia 4 de março de 2018. Então, vêm conferir minhas impressões sobre esse lindo conto que mistura realismo fantástico, suspense e romance.

“Se eu falasse sobre isso, se eu o fizesse…
Me pergunto o que te falaria. Eu falaria sobre o tempo?
Aconteceu há muito tempo atrás.
Nos últimos dias do reinado de um príncipe…

Ou eu falaria sobre o lugar?
Uma cidade pequena perto do mar, mas longe de todo o resto…

Ou, não sei… Eu falaria sobre ela?
A princesa sem voz ou, talvez, falaria apenas sobre a veracidade desses fatos:
Um conto de amor e perda, e um monstro… Que tentou destruir tudo isso.”

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Sinopse

Em 1962, no auge da Guerra Fria, em meio a grandes conflitos políticos e transformações sociais nos Estados Unidos, Elisa (Sally Hawkins), uma faxineira muda que trabalha em um laboratório secreto do governo, conhece uma criatura (uma espécie de homem anfíbio), que é mantida presa no local. Tomada pelo sentimento de empatia, Elisa elabora um plano de fuga.

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A Forma da Água: Uma Fábula no Mundo Real

Em sua nova obra o diretor e roteirista Guillermo Del Toro, nos convida para uma viagem fora do mundo real e para um MERGULHO nas profundezas de uma clássica fábula sobre o amor e suas diferentes FORMAS.

Um conto de fadas que subverte nossa expectativa ao usar cenas de nudez de forma tão natural quanto deveria ser, especialmente, de uma personagem tão doce e ingênua, que se apaixona pelo homem anfíbio e faz de tudo para salvá-lo do verdadeiro monstro.

O roteiro é uma parceria de Del Toro com Vanessa Taylor (roteirista de Game of Thrones), que fazem um excelente trabalho ao compor personagens extremamente humanos, e ao escolherem uma linha narrativa fluída, que passeia entre os protagonistas, texto e subtexto. Tocando em feridas sociais, mas dando o foco principal ao romance.

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Tendo como pano de fundo, o anticomunismo e a opressão da época.  Del Toro exalta figuras esquecidas e ignoradas: Elisa, uma faxineira muda, sua amiga Zelda (Octavia Spencer), também faxineira e negra, Giles (Richard Jenkins), um artista plástico gay e a criatura (Doug Jones). Uma clara metáfora política e social sobre uma parcela da sociedade invisível e sem voz.

Homenagem: Do Cinema Ao Cinema

O filme foi inspirado num clássico de 1954, “O Monstro da Lagoa Negra” dirigido por Jack Arnold. E referencia à época de ouro do cinema, dos grandes musicais e suas estrelas.

Com uma produção de saltar aos olhos, sua direção de arte é riquíssima em detalhes e a fotografia esverdeada, “verde, não. Azulada!”, (trabalho do diretor de fotografia Dan Laustsen) contribui para a concepção visual e para o tom frio do filme. Um deleite para os olhos de qualquer apreciador da 7ª arte.

A trilha sonora (de Alexandre Desplat), cai como uma luva e nos transporta aos poucos para o “Fabuloso Mundo de Elisa” (pegaram a referência?), onde reinavam os standards do Jazz.

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A Forma da Água é uma ode ao cinema clássico. Uma obra-prima atemporal e mágica. Uma alegoria sobre histórias de amor que não se encaixam em nenhum padrão, e que joga luz aos não vistos. Uma verdadeira lenda a ser contada por gerações.

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O longa é o grande recordista de indicações do Oscars 2018 e concorre em 13 categorias: Melhor filme, direção, atriz (Sally Hawkins), roteiro original, atriz coadjuvante (Octavia Spencer), ator coadjuvante (Richard Jenkins), direção de arte, fotografia, figurino, edição de som, mixagem de som, trilha sonora e edição.

Del Toro é o grande favorito ao prêmio de Melhor Direção. Depois de bater na trave do Oscar em 2006 com o excelente “O Labirinto do Fauno”, o nerd sonhador, aficionado por monstros finalmente terá seu reconhecimento. Um estrangeiro mexicano nos Estados Unidos em tempos de Trump, seu triunfo chegou! Parabéns e muito obrigado por essa experiência!

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“Incapaz de definir a Tua forma,
Eu o vejo ao meu redor.
Tua presença preenche meus olhos com o Teu amor,
Acalanteia meu coração,
Pois Tu está em todos os lugares”.

Um poema em forma de filme. Porque o AMOR transcende a qualquer FORMA.

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Por fim, esta é a primeira resenha do nosso especial Oscar 2018. Já falamos sobre as curiosidades desta edição, então fica atento e acompanha o site porque logo, logo têm mais análises dos filmes indicados. Mas e você? Gostou de “A Forma da Água”? Está torcendo por ele no Oscar 2018? Comente!