Um blockbuster de US$ 200 milhões, com elenco formado por 98% de atores negros numa Hollywood racista. Um marco na cultura pop!

“Pantera Negra” a nova adaptação de um quadrinho da Marvel, gerou bastante expectativa e promete impactar a indústria, deixando sua poderosa mensagem como legado.

Representatividade

Se você perguntar à crianças e adolescentes negros, com quais personagens eles se identificam. Quais deles, no cinema, refletem seu tom de pele, seu cabelo, sua beleza. Quais simbolizam a história da sua cultura. Poucos vão saber responder.

Diante de disparidades historicamente injustas, onde uma raça, desde o principio é subjugada, marginalizada e oprimida. Falta referência. E o reflexo do espelho da mídia parece não refletir para alguns (muitos). Geração após geração, vemos os erros se repetirem de diferentes formas, até os dias de hoje.

Poucas oportunidades, pouca representatividade para o povo negro. Em todas as áreas. No cinema e na cultura pop, de um modo geral, não é diferente. Quase sempre delimitados a papeis de coadjuvante ou de pouco destaque, essa grandiosa produção traz à tona essa discussão.

O peso da mensagem

“Pantera Negra”, dirigido por Ryan Coogler (diretor de outros 2 ótimos filmes: “Creed: Nascido Para Lutar” e “Fruitvale Station”, ambos com Michael B. Jordan, Killmonger, vilão do filme), novo filme de super-herói da Marvel é diferente de todos os outros já feitos. Não pelo seu roteiro ou sua fórmula, mas pelo peso da sua representatividade e do seu discurso.

Sério, e com um roteiro bem construído e estruturado, o longa carrega por si só a relevância e o peso da mensagem de uma nação que é real. Em tom extremamente político o filme trata de assuntos atuais como a diferença social, o preconceito racial e as guerras que ainda fazem parte do cotidiano de muitos.

Com doses de humor ponderadas e uma condução mais madura do que os outros filmes do gênero, “Pantera Negra” apresenta personagens fortes, bem desenvolvidos e com motivações mais relevantes. Diálogos poderosos que se encaixam perfeitamente na nossa realidade, dão ainda mais emoção ao filme.

Elenco poderoso!

Chadwick Boseman, o Rei T’Challa, lidera um elenco formado por 98% de atores negros. Estrelas como: Letitia Wright (do episodio Black Museum, de Black Mirror), Danai Gurira (de The Walking Dead) e a maravilhosa Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “12 Anos de Escravidão”, compõem um impressionante elenco feminino, o que eleva a mensagem de empoderamento da mulher negra no filme.

Com um visual arrebatador, o universo de Wakanda, se destaca. Ainda que sofra com o excesso de computação gráfica. Não podemos tirar o mérito da direção de arte/fotografia do filme, que usa muito bem as cores, figurinos e ornamentos. Evidenciando toda beleza da cultura africana. A ótima trilha sonora fica por conta de Kendrick Lamar, maior rapper da atualidade, que juntou um time de peso pra fazer o melhor da música negra contemporânea.

Manifesto

Tudo parece conduzir essa obra a um manifesto de exaltação da cultura negra que determinará o que vem pela frente na indústria. Um filme nunca feito antes. Um ato político, necessário e com um subtexto da maior importância. Uma verdadeira ode à cultura negra, com a missão de empoderar milhões de pessoas ao redor do mundo.

Perguntemos à crianças e adolescentes negros daqui a 10 anos e vejamos o que mudou.

“WAKANDA FOREVER!”

Por: @diogolimma