História real de Tonya Harding, patinadora impedida de praticar seu esporte, depois de ter sido acusada de comandar um atentado contra sua principal oponente.

Eu, Tonya” é  mais um filme incrível que faz parte da nossa cobertura do Oscar 2018. Um retrato bizarro de uma história sobre péssimas escolhas e sonhos interrompidos. Um fato real e dramático, curiosamente narrado de forma cômica.

Sinopse:

A cinebiografia aborda a história real da patinadora Tonya Harding. Garota prodígio da patinação artística no gelo que superou a pobreza e a rejeição de um esporte elitista, venceu campeonatos e conseguiu se tornar atleta olímpica. Até ter o seu nome envolvido em um dos maiores escândalos do esporte americano nos anos 90, quando uma de suas maiores concorrentes foi atacada e teve a perna quebrada nos treinos para as Olimpíadas de 1994. Episódio que pôs fim à carreira de Tonya.

Estudo de Personagem

De origem humilde e família problemática, Tonya (Margot Robbie) não era exatamente um modelo de esportista. Grotesca e petulante, cresceu sob forte influência da mãe LaVona Golden (Allison Janney), uma mulher amarga, sem afeto e extremamente exigente. Viveu em uma casa conturbada, viu seu pai ir embora e passou vários de seus anos sendo agredida e cobrada a ser a melhor patinadora possível.

Mais tarde, Tonya conhece Jeff Gillooly (Sebastian Stan), com quem se casaria e continuaria a viver uma vida de agressões, abusos e situações absurdas. Jeff, o marido, foi o responsável pela agressão a outra patinadora. Acontecimento que tiraria de vez a chance de Tonya ser reconhecida por triunfar em seu esporte.

Robbie + Janney = TALENTO

Margot Robbie está visceral como Tonya, personagem rica e complexa.  Uma atuação carismática e comovente que passeia pela alegria, raiva, dor e desespero. Fazendo com que a gente crie empatia pela personagem, mesmo que ela esteja equivocada. O recurso “quebra da quarta parede”, (momento em que o personagem se dirige diretamente ao espectador), provoca ainda mais a audiência.

Allison Janney é outra joia do filme. A atriz encarna a caricatura de uma persona absurdamente excêntrica, mas ainda assim cômica. Séria candidata a uma das piores mães da história do cinema. Que ao mesmo tempo em que mantinha uma relação abusiva com a filha, fazia o possível para que ela conseguisse treinar.

Narrativa Inusitada

A subversão da expectativa é um dos principais trunfos do filme, dirigido por Craig Gillespie e roteirizado por Steven Rogers. Narrar à truculência desses personagens toscos de modo leve e divertido, utilizando humor ácido num estilo que simula um “mockumentary” (falso documentário), é a fórmula certa para que o espectador receba essa história repleta de absurdos de uma forma menos pesada do que ela realmente é.

“A América sabe…
Eles querem alguém para amar.
Querem alguém para odiar.”

Outro grande destaque é a montagem/edição que, de forma dinâmica, alterna a linha temporal do filme entre: depoimentos em forma de entrevistas, onde cada personagem conta um pouco da sua versão dos fatos, e o tempo real dos acontecimentos. Cortes brutos que se encaixam perfeitamente com uma trilha sonora cheia de hits do rock dos anos 80 e uma fotografia lavada ajudam a compor a época retratada.

Tragicômico

Uma vida de abusos. Uma personalidade fruto do desafeto, que só conhece violência como forma de expressão. As dificuldades impostas a partir da “falta de padrões” estabelecidos pela sociedade. E o grande sensacionalismo da mídia em cima de histórias como essa. Tudo isso narrado de forma irônica e engraçada, fazem de “Eu, Tonya”, uma tragicomédia que equilibra perplexidade, riso, e culpa, com maestria.

O filme ainda aproveita para questionar o espectador que se alimenta de histórias reais e bizarras, fomentadas pelo grande circo da mídia.

Rejeição?

Indicado ao Oscar nas categorias: Melhor Atriz (Margot Robbie), Atriz Coadjuvante (Allison Janney) e Edição. “Eu,Tonya” merecia muito mais. E assim como aconteceu na história real, o filme parece ter sido meio deixado de lado, por ferir o ego americano ao mostrar um diamante bruto que nunca foi lapidado, ao invés de mais uma história de redenção de uma heroína americana.

“Não existe essa coisa de verdade.
Isso é bobagem!
Todos têm sua própria verdade.
E a vida apenas faz o que bem entende.
Esta é a história da minha vida!
E esta é a p**@ da verdade!”

Pra terminar, um link de uma apresentação real de Tonya Harding, nas Olimpíadas de Inverno em 1994, nos EUA. Uma das cenas mais comoventes e impressionantes retratadas no filme. Tonya Harding (USA) – 1994

Que história e, que FILMÃO meus amigos! Até breve!
@diogolimma