Finalmente assisti "Na Natureza Selvagem" que dez anos após seu lançamento continua sendo atual com sua crítica a sociedade capitalista e os nossos costumes de valorização exacerbada de objetos.

Durante anos, resisti a ver este filme, pois sabia o final triste. Além disso, nunca fui o tipo de pessoa que é amante da natureza. Pelo contrário, sou apaixonada pela cidade e tudo que a sociedade moderna nos proporciona. Contudo, o amadurecimento uma hora chega e começamos a entender pontos de vistas diferentes. Por isso, assistir este filme agora me trouxe uma profunda felicidade, pois tive como senti-lo em toda a sua profundidade.

A Trama

A história é baseada na vida real de Chris McCandless, um jovem que após se formar na faculdade vai em busca de uma vida fora das regras sociais. Dessa forma, ele deixa a família para trás e todos os seus pertences, tornando-se Alex Supertramp e viajando pelos EUA em busca de uma grande aventura no Alasca.

O Roteiro

O roteiro envolve e encanta, lidando com duas linhas temporais: Chris no Alasca vivendo sua tão sonhada aventura e sua viagem cheio de encontros pelo caminho até chegar a floresta. As narrações dão reforça em todo o idealismo dele, assim como sua relação complicada com os pais.

Além de um roteiro muito bem estruturado com personagens tão cativantes quanto o personagem principal, o filme ganha muito pelas incríveis atuações. É impressionante o trabalho de Emile Hirsch que consegue mostrar um jovem idealista e carismático.  Os personagens coadjuvantes também se tornam um diferencial para que o filme seja uma reflexão sobre a vida. Especialmente a família que Chris vai construindo ao longo do caminho.

Parte Técnica

O filme tem um trabalho excepcional de fotografia e trilha sonora. As localizações dão a vivacidade que o filme precisa para conseguir transmitir a alma de Chris. E as músicas foram especialmente criadas para o filme, focando no idealismo do personagem. A direção de Sean Penn faz um trabalho cuidado em honrar a história real de Chris.

É um filme para reflexão, ainda que você não seja como Chris McCandless, um idealista apaixonado pela natureza. Em uma época em que tantos questionamentos estão sendo levantados, nada como um filme para nos fazer reavaliar o que realmente importa nas nossas vidas.