paradoxos
O que é bom para seu currículo? O que não é? A concorrência alta e qualificada nas seleções da organizações podem mudar os padrões estabelecidos do que se espera de um bom candidato no processo de recrutamento e seleção.

Há algum tempo venho pensado sobre os paradoxos que existem em um recrutamento e seleção. Felizmente, não tive pessoalmente muitas dificuldades por causa disso. Mas, em uma época de crise econômica e com compartilhamento de informações fácil, é quase impossível não reparar e comentar sobre eles.

Seguem abaixo quais são eles e o que significam em um processo seletivo e para os profissionais do mercado:

5. Trabalho Voluntário

Este é um tema que sempre pode ser visto como algo positivo no currículo, certo? Nem sempre! O trabalho voluntário demonstra que você tem tempo para se envolver em algo que você não terá resultado monetário.

Contudo, dependendo do tempo dedicado a este trabalho, assim como a função em si, pode demonstrar para o recrutador que você não está ali sacrificando seu precioso tempo, mas sim tentando preenchê-lo com algo que depois possa merecer espaço no seu currículo.

O trabalho voluntário além de ter o propósito social, também é essencial para aprendizado e networking. Use-o com sabedoria ou você poderá ser rotulado como aquele que não presta um serviço de qualidade suficiente para ser pago.

4. Vida Pessoal/Qualidade de Vida

O conceito qualidade de vida é bem difundido entre as empresas e está sempre presente no discurso para atrair/reter bons talentos. Um fator muito importante para que o profissional tenha realmente qualidade de vida é sua vida pessoal. Logo, durante o processo seletivo é inevitável o interesse das organizações em como o futuro funcionário é: Estado Civil, Relacionamentos Familiares, Hobbies, etc.

O paradoxo é criado quando a empresa quer alguém que tenha uma vida social bem estabelecida, família estrutura, hábitos saudáveis, etc, e ao mesmo tempo seja altamente dedicado ao trabalho. Por mais que a ideia de equilíbrio seja o ideal, sabemos que na vida real ainda estamos longe disso.

Então, um profissional capacitado pode ser julgado como inadequado caso demonstre que o bem-estar da sua família e o seu próprio vem em primeiro lugar. Um funcionário desses será aquele que respeitará de modo “britânico” seus horários de saída, pois ele sabe que a vida é muito mais que seu emprego.

Ao mesmo tempo, um candidato que demonstre total dedicação para o trabalho, prejudicando sua vida pessoal para isto, pode ser considerado sem maturidade emocional suficiente para lidar com as pressões. Sem falar na possibilidade de se transformar em uma bomba relógio dentro da empresa, pois não terá a qualidade de vida “adequada” e tão defendida pelas atuais teorias sobre recursos humanos.

3. Estágio

Analisando pelo ponto de vista de concorrer à vaga para uma seleção de estágio, as empresas estão cada vez mais exigentes com este estudante. Se ele tem experiência prévia, é considerado diferencial daqueles que estão ainda apenas na teoria.

O que precisa ser lembrado pelas empresas é que o estágio é uma oportunidade de transformar estudantes em profissionais, através da prática sobre as teorias vista em curso. Este é o momento para ensinar e investir em potenciais talentos que irão gerar bons resultados em longo prazo.

Com a lei do estágio de 2008, o programa evoluiu muito no país, pois restringiu mais a utilização do estagiário como aprendiz e não como profissional, obrigando supervisão pedagógica e outros requisitos que façam do estágio ser efetivamente um programa de ensino profissional prático.

2.Formação

O conceito de quanto mais formação e curso melhor, está se dissipando com os processos seletivos voltados para competências. Nele, a empresa valoriza os candidatos que possuem o perfil mais adequado para a vaga e não aquele com maior número de títulos.

Afinal, em tempos de crises, a concorrência pelos cargos só cresceu e a empresa agora possui a possibilidade de contratar um candidato bem qualificado pagando um valor bem abaixo do mercado.

A questão é que crises não duram para sempre, como nada nessa vida, e o questionamento de quanto tempo essa pessoa estará na empresa, com a mesma motivação e dando o seu melhor, é constante e preocupante.

Assim, sua formação pode ser uma vantagem dependendo do cargo ao qual está se candidato.  Lembre-se que se for contratado por um cargo muito abaixo de suas qualificações poderá estar passando a conclusão em futuras oportunidades que suas competências estão abaixo de suas titulações.

1. Experiência Profissional

Essa, sem dúvida, é a que mais causa contradições em um processo de recrutamento e seleção. Se a pessoa tem muitas experiências, passando por vários locais, pode ser do tipo não confiável, que muda de opinião rápida e não tem comprometimento com a empresa.

 Porém, se você passou muito tempo em poucos lugares pode passar a imagem ser do tipo acomodado, só indo atrás de outras oportunidades quando é extremamente necessário. De um modo ou outro, vai depender muito da cultura de cada empresa para interpretar o currículo do candidato.

A única coisa certa é que todo o profissional precisa ter o mínimo de experiência na área, pois poucas empresas que aceitam um candidato que esteja mudando de rumos profissionais e tentando uma nova carreira. Sim, muito se falam e desenvolvimento das pessoas nas empresas, mas, no fundo, todas elas desejam encontrar os profissionais prontos e ideias para gerar resultados o mais rápido possível.

Por fim, saiba que estes são alguns dos principais pontos considerados em um processo seletivo, mas não são os únicos. Cada organização, com sua cultura e seus objetivos, definem o recrutamento e seleção que mais se adequam a sua realidade. Por isso, siga a velha dica de pesquisar e se interar sobre a empresa que deseja uma oportunidade e faça o seu currículo ser como você, adaptável/flexível à situação.

Texto publicado originalmente no Linkedin e Administradores em 23/08/2016.