Resultado de imagem para the oa bannerDepois do sucesso de Stranger Things, a Netflix continua apostando no gênero de ficção cientifica com a peculiar The O.A.

Estranhamente, essa série não teve muita divulgação e só fiquei sabendo que ela já estava liberada pelos comentários dos fãs que estavam comparando com Stranger Things. Há sim semelhanças, mas The OA apresenta um tom mais sombrio e com problemas do mundo real.

The OA demora para revelar seus principais segredos, dando pistas e deixando que aos poucos os cincos personagens, Steve, Buck, French, Jesse e BBA, que estão em busca de ajudar Praire a fazer a viagem para outra dimensão. A mitologia da série é criada com base na teoria que existe vários mundos, a partir das diferentes decisões que tomamos, e existem pessoas que tem acesso a essas diversas dimensões, como é o caso de Praire.

O piloto já foge da estrutura tradicional, sendo lento e mostrando com calma a vida de Praire ao retornar para os pais depois de 07 anos desaparecida e agora enxergando, sendo que ela era cega desde de criança. Mas Praire é outra pessoa, se identifica como OA, ainda que tenha as lembranças da sua antiga identidade e tente evitar confrontos com os pais.

Ao revelar o que aconteceu durante esses setes anos, Praire revela como sua vida mudou ao sofrer por uma experiência de morte quando criança, que causou a sua cegueira. Anos depois, ela ainda busca por seu pai biológico, desse modo ela conhece o cientista Hap e acaba se tornando sua prisoneira e cobaia junto com Homer, Scott, Rachel e, posteriormente, Renata.

O roteiro é bem estruturado e consegue seguir a linha presente/passado de modo que você se importa com todos os personagens e seus dramas, ainda que o foco seja em Praire/The OA e sua busca em voltar para sua família e, especialmente, para Homer. Aliás, o relacionamento deles é construído de modo que você torce pelo reencontro do casal, então imaginem a minha decepção em ver que a série não entrega esse momento para nós.

Talvez o mais interessante da série não seja a discussão ciência versus religião, homem versus anjos, mas sim personagens com problemas reais, que não são perfeitos e estão em busca de respostas. Todo o grupo na linha presente é interessante, mas o destaque é sem dúvida pra French, um rapaz que precisa assumir o papel de pai, pois a mãe só pensa em beber, e Buck, um trans que precisa enfrentar preconceito dentro e fora de casa.

Em contrapartida, o roteiro se perde em provocar mistérios que não são revelados, deixando pistas que geraram várias teorias, mas sem respostas. Talvez a minha decepção com a season finale seja exatamente por isso, pois e se não houver uma season 02? Ficaremos com várias perguntas rondando causando a frustração com a história, que foi bem construída, mas não conseguiu trabalhar bem o seu ápice.

Nem tenho o que falar da produção, pois está impecável como sempre, afinal é da Netflix. A fotografia e as cenas com longos closes nos personagens dá a sensação de assistir um filme/série diferenciado, construindo o tom peculiar que a série transmite. A construção de um mundo próximo ao nosso, mas ainda assim estranho.

Por fim, ainda que tenha ficado chateada pela season finale, foi um pouco decepcionante em visto dos episódios anteriores, a série vale muito a pena se você gosta de uma boa ficção cientifica. Felizmente, 2016 foi um bom ano para este gênero, seja em série ou filme. Agora é aguardar que a Netflix renove para segunda temporada e possamos ter mais respostas sobre OA, o futuro de seus personagens e suas diversificadas dimensões.